
A infraestrutura de transmissão de energia no Brasil enfrenta desafios relacionados ao aumento da frequência de eventos climáticos extremos, de colisão com máquinas agrícolas e de ação de criminosos. Essas ameaças causam em média 21 quedas de torres ao ano, gerando prejuízos que somam dezenas de milhões de reais por evento entre reparos e multas.
Hoje os operadores tem uma visibilidade limitada sobre o que está acontecendo em suas linhas de transmissão. Enquanto as subestações já contam com algum nível de sensoriamento há anos, as empresas de transmissão tem poucos “olhos e ouvidos” captando informação ao longo dos milhares de quilômetros de suas linhas.
Para monitorar riscos de forma mais granular e adotar uma gestão proativa, empresas de transmissão estão começando a instalar sensores nas próprias linhas de transmissão, seja nas torres ou nos cabos condutores. Esse novo modelo de monitoramento permite que falhas sejam previstas antes mesmo de ocorrerem, utilizando a Inteligência Artificial (IA) como o motor dessa transição preditiva.
Essa transformação das linhas/torres em fontes de dados estratégicos depende de um ecossistema de tecnologias de sensoriamento que evoluiu rapidamente nos últimos anos.
Embora a adoção em escala ainda seja incipiente no parque brasileiro, o mercado já dispõe de soluções consolidadas para monitorar desde a integridade estrutural até ameaças de segurança.
A tabela abaixo sintetiza as principais famílias tecnológicas e seu impacto direto na gestão do ativo.

Insight Executivo: O ganho real de resiliência não está na adoção isolada de sensores, mas na capacidade de integrá-los. Dados meteorológicos locais cruzados com vibração estrutural e dados de projeto/manutenção permitem que a transmissora compreenda os ativos que mais estão expostos e vulneráveis.
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Torres de transmissão são projetadas para resistir ao vento histórico, mas quedas recentes provam que os eventos extremos estão ignorando os manuais. A Evoltz, transmissora que fundou a Resilion, sofreu com alguns eventos de quedas de torre provocados por ventos acima dos limites de projeto, além de colisão de máquinas agrícolas e sabotagem.
Para atacar esses desafios, a empresa identificou a necessidade de melhor entendimento dos riscos e monitoramento em tempo real com a utilização de sensores. A partir daí, a empresa iniciou uma jornada de P&D que culminou no lançamento da Resilion em 2025.
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O foco central desse cicilo de P&D foi a linha de transmissão Norte Brasil Transmissora de Energia (NBTE), um ativo estratégico de corrente contínua com 2.412 km de extensão e um total de 4.339 torres.
A NBTE é a terceira maior linha de transmissão do mundo! Imagine a complexidade em manter esse ativo funcionando sem interrupções, prevenindo quedas de torres ou desligamentos
O projeto envolveu a implementação de infraestruturas experimentais e de monitoramento ao longo da linha por meio da instalação e operação de 15 estações meteorológicas para coleta de dados ambientais, além do desenvolvimento do projeto de P&D da ANEEL "SMART TRANSMISSION TOWER", que contou com um investimento de R$ 3,6 milhões para criar protótipos de monitoramento em tempo real. Esses protótipos contavam com uma instrumentação experimental composta por câmeras com visão noturna e sensores de vibração, ruído e deslocamento angular, utilizando redes GSM e satélite para garantir o tráfego de dados a partir das torres.
A iniciativa foi bem sucedida em validar a eficácia de sensores de vibração e câmeras na captura de sinais de eventos críticos, como ventos extremos, vandalismo e colisões. Além disso, comprovou que a transmissão de dados diretamente das torres é tecnicamente viável no ambiente operacional.
Embora os resultados iniciais tenham sido positivos, o estudo de caso revelou barreiras críticas para a implementação em escala massiva, como o custo elevado de uma solução baseada em câmeras e estações meteorológicas completas, a qual se mostrou inviável para aplicação em milhares de torres.
Além disso, a dependência de conectividade via GSM e satélite gerava altos custos operacionais e lacunas de cobertura em regiões remotas, enquanto a ausência de algoritmos de Inteligência Artificial para a interpretação automática de eventos limitava o sistema a um monitoramento pontual, sem a capacidade de um alerta preditivo escalável.
O verdadeiro salto na resiliência operacional ocorre quando deixamos de monitorar sensores isolados e passamos a gerenciar o risco real de cada estrutura.
Para que toda essa massa de dados (meteorológicos, de visão computacional, acústicos e vibracionais) faça sentido, é indispensável contar com uma plataforma integrada que não apenas agregue as leituras, mas as cruze diretamente com a vulnerabilidade e o histórico de cada ativo.
Isso significa que o sistema entende a engenharia por trás de cada torre, sabendo se ela é estaiada ou autoportante, qual a sua altura e qual o limite de vento para o qual foi projetada. Mais do que isso, a plataforma consome os dados de manutenção do ativo, correlacionando a última visita técnica, o nível de tensão medido nos estais e a resistência do isolamento com as ameaças climáticas em tempo real.
A conclusão prática desse cruzamento inteligente é simples, mas revolucionária. O operador deixa de visualizar apenas o valor frio de uma medida no painel para compreender, com exatidão e de forma preditiva, o impacto real que aquela leitura terá sobre a integridade da rede.
Essa visão integrada atinge sua máxima eficiência com a Resilion, que consolida todas essas camadas de inteligência em uma única plataforma centralizada.
Ao unificar o sensoriamento da linha, o monitoramento meteorológico e o diagnóstico com inteligência artificial, a Resilion elimina os silos de informação que historicamente fragmentavam a gestão de ativos.
O resultado é um ambiente operacional onde o dado bruto é processado e contextualizado automaticamente, permitindo que o gestor visualize o status de saúde de todas as torres em uma interface simplificada e intuitiva.
A complexidade técnica da rede é traduzida em clareza estratégica, garantindo que cada alerta emitido seja, de fato, um suporte decisivo para manter a infraestrutura de transmissão operando com segurança e resiliência.
Sua operação está pronta para deixar de reagir a falhas e começar a prevê-las?
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